A doença de Alzheimer causa comprometimento na capacidade
funcional dos idosos, aumentando a demanda por cuidados. Este trabalho teve por
objetivo compreender o processo de vivenciar o cuidado a idosos demenciados. Trata-se
de um estudo descritivo e transversal, realizado de agosto-2005 a agosto-2006.
Foram realizadas entrevistas domiciliárias com cuidadores familiares de idosos
demenciados (N=14), usuários de uma unidade saúde escola. Os dados foram
analisados segundo o modelo de Análise de Conteúdo- Análise Temática de Bardin.
Os resultados mostram que o início da doença é, para a maioria dos cuidadores,
confundido com o próprio processo de envelhecimento. Com a evolução da doença,
aumenta a dependência dos idosos. As alterações de comportamento por parte do
idoso causam grande impacto emocional nos cuidadores. Vivenciar a situação de
cuidar de um idoso com Alzheimer é uma experiência que depende da fase da
doença, da rede de suporte familiar e da história de cada família.
Trata-se de um estudo descritivo de abordagem qualitativa,
realizado entre agosto de 2005 a agosto de 2006.
Participaram do estudo 14 cuidadores familiares de idosos
com diagnóstico provável de Doença de Alzheimer, usuários de uma Unidade de
Saúde Escola de um município do interior do Estado de São Paulo. A maioria do
gênero feminino (86%), com idade entre 39 e 80 anos e sem alterações cognitivas
segundo um teste de rastreamento (Mini Exame do Estado Mental - MEEM).
Para a coleta de dados foram realizadas entrevistas nos
domicílios dos cuidadores, após agendamento prévio. Duas questões nortearam as
entrevistas: 1- Como tem sido para você vivenciar a situação de demência na
família? 2-Quais os cuidados que você precisa realizar para o idoso no desempenho
de suas atividades de vida diária?
As entrevistas foram realizadas tendo em vista os preceitos
éticos que regem pesquisas com seres humanos, sendo que a coleta de dados teve
início após aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição (Parecer
CAAE 047/2006). Os cuidadores foram esclarecidos do objetivo da investigação e
concordaram em participar assinando o Termo de Consentimento Livre e
Esclarecido.
Na coleta de dados foi utilizado gravador e os dados foram
transcritos posteriormente. Os dados foram codificados e agrupados em
categorias, seguindo o modelo de Análise de Conteúdo, modalidade Análise
Temática, proposto por Bardin.
Vivenciar o cuidado ao idoso com Alzheimer é um processo
longo e que se diferencia em cada fase da doença. No início ela é, para a
maioria dos cuidadores familiares, confundida com o próprio processo de
envelhecimento. As alterações de memória vão se tornando cada vez mais
evidentes. A família passa a perceber que se trata de um processo crônico,
degenerativo e que tende a piorar. Na fase intermediária da doença, as
alterações de comportamento apresentadas pelos idosos causam grande impacto
emocional aos cuidadores.
Com a evolução do quadro, aumenta a dificuldade no
desempenho das atividades de vida diária, e aumenta consequentemente a
dependência dos idosos. Os entrevistados refletem sobre o processo de vivenciar
o papel de cuidador que se soma a outros papéis que desempenha junto à família
e sentem falta de apoio familiar. Assim, das análises das entrevistas foram apreendidas
três categorias:
Categoria 1-Descobrindo a doença;
Categoria 2-Vivenciando as fases da doença e
Categoria 3- Vivenciando o papel de cuidador.
As entrevistas permitiram compreender o processo de
vivenciar o cuidado a idosos demenciados na visão do cuidador familiar de
idosos com Alzheimer.
Os resultados mostram que para os entrevistados os primeiros
sintomas da doença geralmente são confundidos com o próprio processo de
envelhecimento.
A evolução da doença de Alzheimer acarreta a perda de autonomia
e independência, as quais se constituem uma geradora de grande dependência dos
idosos e sofrimento e sobrecarga para familiares e particularmente aos
cuidadores. As alterações do comportamento por parte do idoso causam grandes
dificuldades para os cuidadores entrevistados. Os familiares passam a enfrentar
situações com as quais ainda precisam aprender a lidar. Novas identidades,
novos papéis, novas situações passam a ser vivenciadas pelos cuidadores e pelos
idosos. Ambos parecem precisar reaprender a viver neste novo cenário. Os
resultados são semelhantes a outros estudos brasileiros que caracterizam os
cuidadores de idosos com demência e avaliam o impacto da tarefa de cuidar.
Cuidar de idosos com demência depende da fase da doença, da
qualidade da rede de suporte familiar, da história de vida de cada família e da
forma como cada família enfrenta a situação. É, sem dúvida, uma experiência
muito pessoal. Compreender como os cuidadores vivenciam esta experiência pode
ajudar profissionais da saúde no planejamento de programas de orientação aos
cuidadores.
Os cuidadores entrevistados apontam ainda, a necessidade de
uma rede de apoio familiar e de suporte social. Não se trata de um único
cuidador, mas de várias pessoas auxiliando em diferentes tipos de cuidado.
Instrumentos que avaliam a rede de apoio familiar aos idosos podem ajudar a
compreender a estrutura que estas famílias dispõem.
Investigações sobre o uso do genograma e do ecomapa, por
exemplo, com familiares de idosos demenciados poderiam trazer resultados
importantes para o planejamento do cuidado ao idoso e para auxiliar nos
programas de orientação aos cuidadores.
No contexto brasileiro, muitas perguntas ainda precisam ser
respondidas na temática cuidando do idoso com Alzheimer.
Fonte: http://www.fen.ufg.br/revista/v10/n3/v10n3a04.htm
