quarta-feira, 30 de abril de 2014
A mágica entre os cães e os idosos
Você já ouviu que o cão é o melhor amigo do homem, não é mesmo? Mas, o que muita gente não sabe é que a convivência com os bichos de estimação pode até ajudar no tratamento de doenças.
No Centro Integrado de Atendimento ao Idoso (CIAI), em São Paulo, os cães assumiram outro papel: o de terapeutas. Durante uma tarde inteira, os peludinhos visitam cerca de 70 idosos integrantes da clinica. E é aí que a “mágica” acontece!
Além de ser uma maneira de enfrentar a solidão, a convivência com cachorros pode gerar benefícios para a saúde de pessoas que estejam naquela que é denominada “melhor idade”, combatendo a tristeza, reduzindo a pressão sanguínea e até o colesterol.
O sorriso e o rabinho abanando dizem tudo! Por serem brincalhões e carinhosos por natureza, os cães são ideais, pois não fazem distinção e não pedem nada em troca. O animal fica perto, dá atenção para quem estiver disposto a interagir com ele. Além disso, os idosos se lembram dos animais que tiveram e contam suas histórias. Arrancando sorriso até mesmo dos mais sérios e quietinhos.
Outra vantagem de ter a companhia de um cão é o aumento da atividade física, uma vez que há necessidade de movimentação para fazer carinho ou para escová-lo, por exemplo.
O importante do encontro é que é uma troca, de afeto e carinho, que faz bem a todo o grupo, seja humano ou dono de quatro de patinhas. No final, todo mundo sai feliz!
Mas para conviver com os idosos os cães precisam ser treinados para se tornarem mais sociáveis e não representem riscos aos idosos. As raças mais indicadas são as mais dóceis, independente do porte do animal.
O processo de adestramento dura cerca de nove meses. Primeiro os cães são orientados para ser sociáveis com outros animais e depois são apresentados às pessoas e aos objetos. O treinamento é minucioso para que não exista risco de que o cachorro se torne agressivo. Feito isso, a aproximação dos animais com os idosos é imediata.A mágica entre os cães e os idosos
Você já ouviu que o cão é o melhor amigo do homem, não é mesmo? Mas, o que muita gente não sabe é que a convivência com os bichos de estimação pode até ajudar no tratamento de doenças.
No Centro Integrado de Atendimento ao Idoso (CIAI), em São Paulo, os cães assumiram outro papel: o de terapeutas. Durante uma tarde inteira, os peludinhos visitam cerca de 70 idosos integrantes da clinica. E é aí que a “mágica” acontece!
Além de ser uma maneira de enfrentar a solidão, a convivência com cachorros pode gerar benefícios para a saúde de pessoas que estejam naquela que é denominada “melhor idade”, combatendo a tristeza, reduzindo a pressão sanguínea e até o colesterol.
O sorriso e o rabinho abanando dizem tudo! Por serem brincalhões e carinhosos por natureza, os cães são ideais, pois não fazem distinção e não pedem nada em troca. O animal fica perto, dá atenção para quem estiver disposto a interagir com ele. Além disso, os idosos se lembram dos animais que tiveram e contam suas histórias. Arrancando sorriso até mesmo dos mais sérios e quietinhos.
Outra vantagem de ter a companhia de um cão é o aumento da atividade física, uma vez que há necessidade de movimentação para fazer carinho ou para escová-lo, por exemplo.
O importante do encontro é que é uma troca, de afeto e carinho, que faz bem a todo o grupo, seja humano ou dono de quatro de patinhas. No final, todo mundo sai feliz!
Mas para conviver com os idosos os cães precisam ser treinados para se tornarem mais sociáveis e não representem riscos aos idosos. As raças mais indicadas são as mais dóceis, independente do porte do animal.
O processo de adestramento dura cerca de nove meses. Primeiro os cães são orientados para ser sociáveis com outros animais e depois são apresentados às pessoas e aos objetos. O treinamento é minucioso para que não exista risco de que o cachorro se torne agressivo. Feito isso, a aproximação dos animais com os idosos é imediata.
fonte:http://www.equilibriototalalimentos.com.br/vida-equilibrada/trabalhos-sociais/magica-entre-os-caes-e-os-idosos.html
sexta-feira, 25 de abril de 2014
Oito hábitos para tratar os sintomas do Parkinson
No Dia Mundial do Parkinson (11 de Abril), uma série de especialistas indicam os hábitos que podem ajudar o paciente a executar tarefas diárias com mais independência e até mesmo prevenir outras complicações da doença. Vale ressaltar que as recomendações são mais eficientes se forem seguidas quando o diagnóstico ainda é recente.
1. Exercícios diários
Para que o paciente com Parkinson possa executar movimentos automáticos, é necessária a prática de diversos exercícios diários. O objetivo desse treino é fazer com que o movimento passe a ser feito de maneira consciente, e não mais automática. A fisioterapeuta da Associação Brasil Parkinson explica que o portador da doença deve passar a fracionar os movimentos, prestando atenção em cada gesto. "Para ele não é mais simplesmente andar, é levantar uma perna, colocá-la para frente, depois levantar a outra perna e assim por diante", diz.
Mariana explica que podem ser usadas pequenas pistas tanto visuais quanto auditivas na hora de executar uma tarefa. "É possível riscar várias linhas no chão, de forma que o paciente pule cada uma delas quando for andar, assim como podemos fazer uma contagem para cada movimento", diz. Ela afirma que essas pistas são uma forma de substituir a função automática por uma função consciente. "Pular a faixinha ou contar o passo faz com que o paciente se conscientize da tarefa, executando-a com mais rapidez e facilidade."
2. Tai Chi Chuan
Um estudo desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa de Oregon (EUA), feito com 195 pessoas, mostrou que os movimentos do tai chi chuan podem ajudar a reverter alguns dos sintomas físicos da doença de Parkinson. A prática do exercício duas vezes por semana durante 60 minutos ajudou os pacientes a manter o equilíbrio e fazer movimentos com mais precisão.
O fisioterapeuta Frederico Brant, da Academia Rio Sport Center, afirma que o tai chi chuan promove mobilidade, equilíbrio e estabilidade aos portadores de Parkinson. Esse conjunto de habilidades acaba gerando mais autonomia para execução das atividades diárias e diminuindo o risco de quedas. "O tai chi tem exercícios que envolvem grandes amplitudes de movimento e estabilidade postural, servindo como ferramenta de combate aos sintomas da doença", diz Frederico.
3. Musculação
Um estudo realizado pela Universidade de Illinois, na cidade de Chicago, afirma que fazer musculação durante uma hora, duas vezes por semana, pode melhorar a coordenação motora de pessoas com Parkinson. De acordo com o personal trainer Juliano Farah, gerente de musculação da Cia. Athletica de Brasília, as consequências geradas pela doença incluem perda e redução da força muscular, além da rigidez dos músculos. "A musculação consegue reverter esses problemas e melhorar a estabilidade da caminhada. A postura também ganha alinhamento", afirma.
Para Juliano, a frequência e intensidade do exercício dependem do grau da doença e o trabalho físico de pacientes com Parkinson deve ser realizado em parceria com o neurologista que acompanha o caso. "Se o programa incluir exercícios com aparelho, o ideal é buscar aqueles com mais conforto e apoio para o corpo, como bicicletas ergométricas máquinas de musculação, em vez de pesos livres."
4. Origami
Em fases mais avançadas da doença, o paciente pode ter dificuldades em desenvolver a motricidade fina, que são os movimentos precisos, como abotoar uma camisa, escrever ou pegar coisas usando apenas dois dedos. De acordo com a fisioterapeuta Mariana, a prática do origami estimula a motricidade e dá mais precisão aos movimentos, tornando essas atividades mais fáceis. "Também podem ser feitos outros exercícios específicos para a motricidade fina, como apertar um pregador ou envolver as mãos em um elástico e fazer movimentos de abrir e fechar", afirma.
5.Trabalhar a fala
O paciente com Parkinson pode apresentar dificuldade para engolir e alterações na fala, como a gagueira. A fonoaudióloga Arminda Sarpa, coordenadora do setor de Fonoaudiologia da Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação, explica que podem ser feitos exercícios para coordenar a respiração e a fala do paciente a fim de que ele supere essas dificuldades. Aulas de canto e leitura em voz alta, com a orientação de um fonoaudiólogo, também são úteis para superar dificuldades orais.
6. Ginástica facial
Outro fenômeno comum da doença de Parkinson é a perda de expressão facial, resultado da rigidez muscular. De acordo com Arminda Sarpa Nesses, exercícios como os da ginástica facial podem ajudar o paciente na recuperação dos movimentos das sobrancelhas ou boca.
7.Exercitar a mente
O paciente com Parkinson pode apresentar problemas de memória e raciocínio. Segundo o neurologista André Lima, da Academia Brasileira de Neurologia, existe até um distúrbio chamado demência parkinsoniana, que é resultado de uma mente com Parkinson pouco estimulada. "Por isso é importante trabalhar a mente do paciente com Parkinson com jogos, aulas de música e leitura, por exemplo", diz André. Nesses casos, a atividades podem ser diárias e de acordo com a preferência ou aptidão do paciente.
8.
Convívio social
Em decorrência das limitações físicas que se desenvolvem progressivamente, o portador de Parkinson pode sofrer um abalo psicológico e até apresentar um quadro de depressão. "Para evitar a apatia no paciente, é recomendado que ele continue a fazer todas as atividades de antes, mesmo demorando um pouco mais de tempo", afirma o neuropsicólogo, especialista em idosos, Alexandre Monteiro, do Rio de Janeiro. "Manter a autoestima também é um fator positivo para evitar ou combater a depressão, e é importante que ninguém force o paciente a fazer atividades que não o agradem ou exigir velocidade na execução das tarefas", diz.
Atividades manuais como pintura, cerâmica e artesanato podem ser benéficas e minimizar o desgaste emocional. "Isso porque a área cerebral responsável pela concentração para realizar estas tarefas é a mesma área que provoca os tremores, se esses neurônios são desafiados, o sintoma que caracteriza o Parkinson pode diminuir", afirma Alexandre. Além disso, conversar com familiares, amigos ou mesmo um grupo terapêutico podem ajudar pacientes que têm vergonha de sua condição. "Grupos de apoio e palavras de carinho podem não alterar a progressão de perdas funcionais, evitam o desenvolvimento de doenças oportunistas, como a depressão."
fonte: http://www.minhavida.com.br/saude/galerias/14960-oito-habitos-para-tratar-os-sintomas-do-parkinson/5
terça-feira, 22 de abril de 2014
Doenças mais comuns nos idosos
O envelhecimento poderá ser tranquilo ou não, de acordo com a capacidade funcional que a pessoa conseguir manter ao chegar à terceira idade.
Por isso, atitudes preventivas, como alimentação e atividades físicas, entre outras, são importantes.
As doenças mais letais são as cardiovasculares, entre elas a hipertensão e o diabetes, que podem evoluir para a insuficiência cardíaca. Segundo dados de 1997 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as doenças do aparelho circulatório são responsáveis por 39,4% dos óbitos masculinos e 36,3% dos femininos entre os idosos. Outro problema frequente é a depressão.
De um quarto a três terços da população idosa mundial apresenta a doença. A depressão pode tornar o idoso dependente de outras pessoas e incapacitá-lo para a realização de suas atividades diárias.
Doenças comuns nos idosos:
Derrames (acidente vascular cerebral); Pneumonia; Câncer; Enfisema e bronquite crônica; Infecção urinária; Osteoporose; Diabetes; Osteartrose; Mal de Parkinson; Alzheimer.
Doenças oculares mais comuns nos idosos:
A visão pode ser afetada em diferentes aspectos como percepção de cores, campo visual, visão noturna, visão de perto, de longe e as principais etiologias são catarata, glaucoma e degeneração macular relacionada à idade (DMRI).
fonte:
http://hob.med.br/quais-sao-as-doencas-mais-comuns-no-idoso/
sexta-feira, 11 de abril de 2014
Demência em Idosos
Em geral, as pessoas relacionam o termo demência com loucura, com perda da razão. Em se tratando de idosos, porém, a medicina se vale da palavra demência para definir quadros associados à perda das capacidades cognitivas, isto é, à perda das capacidades que genericamente chamamos de inteligência.
Os exemplos são muitos. Quem não ouviu falar do idoso que não se lembra do que acabou de fazer cinco minutos antes, não reconhece o filho querido e se atrapalha no caminho que o leva ao quarto de dormir? Esse comportamento pode ser resultado de alterações no campo cognitivo que afetou até a realização das atividades rotineiras.
No entanto, parece que certos distúrbios ligados ao envelhecimento – o idoso alienado que não reconhece mais ninguém, incapaz de cuidar de si mesmo ou de guardar pequenas informações –acometem número reduzido de indivíduos de mais idade e algumas medidas podem ser tomadas, se não para evitar, pelo menos para retardar a instalação desse processo doloroso.
OBJETIVO DAS PESQUISAS COM IDOSOS
Drauzio – Qual foi o objetivo desse trabalho de pesquisa que vocês realizaram com idosos?
Cássio Bottino – No Brasil, há poucos dados sobre a frequência de demência ou de transtornos cognitivos na população idosa em geral. Existe um estudo interessante realizado em Catanduva, interior de São Paulo, por um grupo do Serviço de Neurologia da Faculdade de Medicina. Especificamente na cidade de São Paulo e em Ribeirão Preto (SP), porém, não havia nenhum levantamento a respeito dessa questão.
Nossa pesquisa, portanto, teve como objetivo investigar com que frequência esse tipo de transtornos cognitivos ocorria a fim de entender um pouco mais nossa realidade, ou seja, quais fatores estariam associados aos transtornos cognitivos nessa faixa etária. Além disso, ela fornece elementos que podem auxiliar o Poder Público a programar melhor o serviço de saúde de assistência aos idosos.
SELEÇÃO DOS PARTICIPANTES
Drauzio – Que populações vocês estudaram?
Cássio Bottino – Uma das propostas da pesquisa era comparar a influência de realidades socioeconômicas diferentes no desenvolvimento de transtornos cognitivos. Nesse sentido, a cidade de São Paulo, com sua população bastante heterogênea, mostrou ser um dos lugares ideais para a avaliação.
O município de São Paulo está dividido em 96 subdistritos. De acordo com os dados fornecidos pelo IBGE, nós os classificamos em três grupos: com mais recursos, com menos recursos e os de nível intermediário. A seguir, elegemos um distrito representativo de cada grupo para selecionar os indivíduos idosos que seriam entrevistados e que foram escolhidos aleatoriamente em treze subdistritos.
Em Ribeirão Preto, outra cidade em que foi feita a pesquisa, a seleção obedeceu ao mesmo critério adotado em São Paulo. A cidade foi dividida em três regiões diferentes e os domicílios sorteados, porque os dados do IBGE são sigilosos e não tivemos acesso a eles.
Nas duas cidades, sorteados os endereços, os entrevistadores iam batendo de porta em porta até identificar as casas em que viviam idosos para convidá-los a participar da pesquisa.
Drauzio – Vocês consideraram idoso o indivíduo acima de quantos anos?
Cássio Bottino – Embora muitos estudos internacionais considerem idosos os indivíduos acima de 65 anos, convencionamos chamar de idosos os indivíduos com idade superior a 60 anos, porque, em nosso meio, é grande o número de pessoas na faixa entre 60 e 70 anos.
MÉTODO APLICADO
Drauzio – O idoso que concordava em participar da pesquisa era submetido a um questionário?
Cássio Bottino – O primeiro passo era aplicar um questionário sobre os antecedentes do idoso: doenças e hábitos de vida. Depois, eles eram submetidos a testes para avaliar-lhes a memória e a capacidade de concentração e atenção. Por fim, procurava-se entrevistar um familiar ou uma pessoa próxima que fornecesse informações sobre idoso.
Drauzio – Muitas vezes, a pessoa de idade não reconhece que tem problemas seriíssimos. Apesar de não gravar mais na memória nenhum acontecimento recente, acha que ela funciona muito bem.
Cássio Bottino – É muito comum o idoso achar que não tem nenhum problema. Por isso, a estratégia da pesquisa incluía também a entrevista com um familiar. Desse modo, com o intuito de assegurar a veracidade dos dados obtidos, recorríamos a duas fontes de informação para identificar possíveis casos de demência.
Drauzio – Baseando-se nas respostas ao questionário do idoso e do familiar e nos testes, vocês podiam diagnosticar com precisão déficits discretos de memória ou de cognição?
Cássio Bottino – Essa é uma questão importante. Por conta da própria estratégia da pesquisa, tínhamos grupos bem distintos. Em São Paulo, por exemplo, foram entrevistados 250 idosos analfabetos, 400 idosos com cerca de nove anos de escolaridade e um grupo grande entre os dois citados.
Como a escolaridade influencia muito o desempenho e os testes eram aplicados previamente, estabelecemos pontos de corte de acordo com a escolaridade do idoso entrevistado, embora a ideia fosse sempre incluir o maior número possível de pessoas.
Num teste de screening de campo como esse, a possibilidade de acertar gira em torno de 60%, isso quando o teste é muito bom. Portanto, é óbvio que os resultados obtidos no campo pesquisado não retratam a frequência real de demência na população estudada.
PREVALÊNCIA e SINTOMAS
Drauzio – Qual a prevalência de quadros demenciais encontrados nessa amostra populacional em que a média de idade era 71/ 72 anos mais ou menos?
Cássio Bottino – Na pesquisa de campo, em São Paulo, encontramos 16% dos idosos com suspeita de demência ou de transtorno cognitivo. Em Ribeirão Preto, a prevalência foi um pouco maior, 18,5%.
Depois dessa primeira fase realizada pelos entrevistadores, os suspeitos eram encaminhados ao Hospital das Clínicas de São Paulo e de Ribeirão, onde foram avaliados por um médico que tentou esclarecer o diagnóstico, diferenciando o quadro de demência do da depressão grave ou de outro tipo de problema que possa interferir com a cognição.
Drauzio – Nos quadros demenciais, quais foram os sintomas mais freqüentes encontrados nessa amostra?
Cássio Bottino – É óbvio que o instrumento utilizado determina um pouco os resultados. De qualquer modo, as alterações de memória, de atenção e de orientação foram as mais frequentes. Foi também interessante observar uma relação muito boa entre o resultado do teste aplicado no idoso e o relato familiar. Ouvir os parentes e os amigos preóximos provou ser uma estratégia bastante acurada para estabelecer uma visão do desempenho do idoso no dia a dia.
Drauzio – Quando um familiar acha que alguma coisa não vai bem com determinado idoso, geralmente não vai bem mesmo…
Cássio Bottino – Geralmente não vai bem. Por isso, a recomendação aos médicos que atendem idosos é procurar avaliar de forma objetiva o relato do familiar a respeito do desempenho do paciente no dia a dia, se é adequado, se está como sempre foi ou se mudou nos últimos tempos.
FATORES DE RISCO
Drauzio – Essa devastação que acontece na vida das pessoas e está associada à idade é uma coisa que assusta, especialmente aqueles que vão se aproximando da faixa etária em que as doenças são mais frequentes. Sabemos de muitas coisas que podem ser feitas para nos proteger em relação à velhice. Não é que a gente faça, mas sabemos que é possível evitar problemas cardíacos se não fumarmos, se mantivermos uma dieta saudável, praticarmos exercícios físicos, etc. Em relação aos problemas de cognição, parece não haver muita defesa. O que pode ser feito para evitar a perda completa da memória, ou acabar a vida olhando para uma parede sem saber onde nos encontramos? No trabalho de vocês surge uma esperança muito grande de podermos exercer algum impacto na evolução desses casos? Gostaria de que você comentasse os resultados obtidos e em que grupo os pesquisadores encontraram mais quadros demenciais?
Cássio Bottino – Vou me referir mais aos resultados de São Paulo, pois já foram completamente analisados. Em Ribeirão Preto, a análise ainda não terminou.
Alguns dos resultados que obtivemos eram bastante esperados. Correspondem a fatores de risco bem estabelecidos na literatura.
Primeiro achado: ficou evidente que quadros demenciais ocorrem com mais frequência em pessoas com mais idade. Quanto mais velhas eram, mais distúrbios cognitivos apresentavam. Na faixa dos 90 anos, a suspeita de demência recaía praticamente sobre 50% dos indivíduos avaliados, uma porcentagem muito grande, portanto. É óbvio que nesse estudo, assim como em todos os estudos realizados seguindo os mesmos critérios, o número de indivíduos com mais de 90 anos era bem menor e essa é uma variável que precisa ser considerada.
Segundo achado: pessoas com baixa escolaridade correm risco maior de desenvolver quadros demenciais. O número de suspeitas de demências entre analfabetos foi bem maior do que entre os que tinham mais de nove anos de escolaridade. Isso reforça a hipótese de que, assim como acontece com os outros órgãos, a estimulação prévia faz com que as pessoas tenham uma reserva funcional do cérebro. Outro ponto importante é que, apesar de essa reserva ir diminuindo ao longo da vida, quanto mais a pessoa tiver acumulado, mais terá para perder. Mesmo quando a carga genética é grande e desfavorável, a estimulação cerebral anterior retarda o aparecimento de quadros demenciais.
Terceiro achado: quanto mais baixo o nível socioeconômico, maior o número de casos de demência. Para avaliar o nível socioeconômico, levamos em conta duas variáveis: a divisão em cinco classes (de A a E) e a localização geográfica dos subdistritos: Jardins Paulista e América (nível mais alto), Vila Sônia e Rio Pequeno (nível intermediário) e Brasilândia (nível inferior). O resultado obtido provavelmente está associado não só à escolaridade dos participantes, que varia conforme a região da residência, mas também a outros aspectos, como cuidados com a saúde e facilidade de acesso aos serviços de saúde mais frequente nas classes mais favorecidas.
Drauzio – Essa diferença entre os níveis socioeconômicos se mantém quando se isola o aspecto da escolaridade?
Cássio Bottino – Ainda não temos esse dado. No entanto, a primeira análise deixou evidente a relação entre nível socioeconômico e escolaridade, ou seja, pessoas com maior nível de escolaridade moram em bairros melhores. Esses dados sociodemográficos confirmaram algumas de nossas hipóteses e são importantes porque refletem uma realidade sobre a qual ainda não havia informações sistematizadas. A mesma avaliação feita em São Paulo está sendo feita em Ribeirão Preto e parece que os resultados serão parecidos.
ESTILO DE VIDA
Drauzio – E quanto aos fatores de risco ligados ao estilo de vida?
Cássio Bottino – Esse tema foi incluído no questionário em 2001, quando estávamos planejando o estudo e começaram a surgir os primeiros resultados de pesquisas realizadas na década de 1990, nos Estados Unidos e Europa, mostrando a associação entre hábitos de vida saudável e redução do risco de desenvolver demência. Esse é um aspecto da pesquisa a respeito do qual temos muita curiosidade e que estamos começando a analisar.
Drauzio – Como você descreveria esses hábitos saudáveis?
Cássio Bottino – São considerados hábitos saudáveis as atividades intelectuais de maneira geral, por exemplo, jogos, leitura, visitas a museus e prática de atividade física.
Drauzio – Vamos começar pela importância da atividade física.
Cássio Bottino – Ficou claro que no grupo de idosos que não têm o hábito de praticar atividades físicas, o risco de transtorno cognitivo foi bem maior, praticamente o dobro, se comparado com o grupo que fazia caminhadas, mesmo caminhadas leves, jardinagem, etc.
Outro aspecto interessante refere-se aos idosos que mantêm uma ocupação, incluindo aí o trabalho voluntário. Nesse grupo, foram observados também menos casos de suspeita de demência.
Drauzio – Será que os idosos que estão trabalhando aos 80 anos conseguem fazê-lo porque não desenvolveram nenhum distúrbio importante de cognição ou será que não desenvolveram esse distúrbio, porque se mantiveram trabalhando? É possível caracterizar esse dado rigorosamente?
Cássio Bottino – Essa é uma questão que um estudo transversal como o nosso não consegue responder. Ele funciona como uma fotografia que reflete a situação dos idosos investigados num determinado momento. Para ter uma ideia mais conclusiva, é preciso fazer um seguimento dessa população durante dois ou três anos. Só assim será possível estabelecer uma medida mais fiel da associação entre hábitos e atividades e o aparecimento de casos de transtorno cognitivo.
No entanto, estudos recentes desse seguimento feitos em outros países mostram que a prática de exercícios físicos e principalmente a manutenção de atividade intelectual, como leitura e jogos, parecem constituir fator de proteção importante.
Drauzio – Que jogos são esses aos quais você se refere?
Cássio Bottino – Jogos de carta ou jogos de tabuleiro, como xadrez e damas, por exemplo. Num estudo feito em Chicago (USA), os pesquisadores observaram que a atividade intelectual era mais importante do que a atividade física em termos de proteção contra o aparecimento de demência no futuro.
Nosso estudo também mostrou que, além da atividade física e da ocupação, o hábito de ler, de jogar e mesmo de fazer palavras cruzadas diminuía o risco de comprometimento cognitivo.
Drauzio – Existe alguma diferença nos resultados quando os idosos vivem na companhia de famílias numerosas e quando vivem isolados?
Cássio Bottino – Esse é um dado que ainda estamos analisando. No entanto, já sabemos que nos viúvos, independentemente do sexo, é maior a frequência de comprometimento cognitivo. Vale mencionar que, na amostra populacional por nós analisada, havia mais ou menos 2/3 de mulheres e 1/3 de homens, dado que esperávamos encontrar e que se explica pelo fato de as mulheres viverem mais do que os homens.
Drauzio – A pesquisa revelou se esses distúrbios são mais frequentes entre os homens ou entre as mulheres?
Cássio Bottino – Nós observamos frequência um pouco maior entre as mulheres, mas não é uma diferença significativa. Essa discussão faz parte da literatura sobre o assunto. Alguns estudos já mostraram que o risco nas mulheres é maior, pelo menos quando se trata de algumas doenças como a Doença de Alzheimer.
Acredito que, no final da pesquisa, será possível identificar casos de demência provocados por problemas cerebrovasculares, degenerativos do tipo Alzheimer e se a variável sexo tem influência no aparecimento desses distúrbios.
CONCLUSÕES DA PESQUISA
Drauzio –Você poderia resumir a conclusão mais importante desse estudo?
Cássio Bottino – Esse estudo confirmou algumas das hipóteses que tínhamos, reproduziu achados de estudos feitos em outros países e mostrou que, em muitos aspectos, nossa realidade é semelhante à de outros lugares.
Em relação aos hábitos de vida, ficou evidente a importância da atividade intelectual como fator de proteção contra o desenvolvimento de quadros demenciais. Normalmente, os médicos recomendam que as pessoas mantenham a atividade física. Quem trabalha com idosos também insiste nesse ponto. No entanto, nosso estudo mostrou que é extremamente importante manter a atividade intelectual. Nesse sentido, já existe pelo menos um estudo de intervenção feito nos Estados Unidos com idosos normais que receberam treinamento cognitivo. Eles melhoraram a performance não só durante o treinamento, mas no ano seguinte também, além de terem manifestado menor risco de desenvolver demência.
Drauzio – Em que consiste o treinamento cognitivo?
Cássio Bottino – No estudo americano em questão, o treinamento cognitivo era realizado em sessões de 1 hora, duas vezes por semana, por profissionais treinados que sugeriam algumas tarefas e ensinavam estratégias para melhorar a concentração, por exemplo. Os resultados obtidos foram animadores.
Diante disso, cada vez fica mais evidente que manter a atividade intelectual para evitar o aparecimento de um quadro demencial grave no futuro é tão importante quanto recomendar a prática da atividade física para benefício da integridade do sistema cardiovascular.
fonte:http://drauziovarella.com.br/envelhecimento/demencia-em-idosos/
quarta-feira, 2 de abril de 2014
O calor para o idoso
Se o calor voltar, idoso deve ter cuidado. Em dias quentes
atenção a saúde de ser redobrada. O
A aposentada Cacilda Barros cuida de suas casa, roupas,
finanças e saúde
Quando se trata de relaxamento e boa alimentação, a
aposentada Cacilda Barros, 74 anos, é mestre no assunto.
Independente (financeira e fisicamente, como gosta de dizer)
e desfrutando de uma saúde de dar inveja à muita mulher mais jovem, Cacilda
leva a vida devagar. “Já fui muito ativa nos tempos de juventude. Trabalhei,
cuidei de filhos e netos, e agora desfruto os resultados de uma vida bem
vivida”, conta.
Nesta época do ano, de clima quente, dona Cacilda redobra os
cuidados com alimentação leve, muito liquido e roupas frescas – os idosos
precisam de atenção nos dias quentes, segundo o geriatra Marco Antonio Brunello
Guerra da Cunha. Os cuidados atingem até a pele, fragilizadas pelo tempo.
Mas para quem está de bem com a vida, como o caso de dona
Cacilda, com um bom controle, dá para ter uma vida bastante ativa no calor.
“Gosto muito de cuidar da minha casa, de ajudar meu filho a
fazer suas encomendas (ele fabrica salgados caseiros), e de fazer minha própria
comida. Como está muito quente, prefiro comidas leves e grãos, assim como
recomendou meu médico”, diz.
Para suas caminhadas diárias, ela também segue a risca as
orientações clínicas. “Saio bem de manhãzinha, para não pegar o sol forte e uso
bastante protetor solar e chapéu, além de carregar minha garrafa de água, onde
quer que eu vá”,
Para o filho Juvenal Antônio Barros, 56, a mãe é um exemplo.
“Ela sempre teve boa saúde e isso é uma ótima notícia para os descendentes”,
comemora os traços genéticos.
Remédios
Uma tendência que paira sobre a terceira idade é o hábito de
deixar de lado o tratamento quando se sente melhor. De acordo com especialistas,
esse é um grande erro, pois pode agravar doenças, e limitar a autonomia do
idoso. O conselho é não importa se faz
sol ou chuva, se está na praia, na piscina ou em casa: nunca deixe de lado sua
medicação, só assim sua segurança e qualidade de vida estará garantida.
nesta data o mundo terá mais de 2 bilhões de idosos, de
acordo com a Organização Mundial da Saúde.
No verão é preciso relaxar e dobrar a atenção à saúde.
Perguntas Freqüentes
Quais os cuidados para
idosos no verão?
A pele na terceira idade é uma parte muito frágil do corpo e
o aumento de pernilongos pode representar um perigo para eles, pois, ao coçar a
pele, corre-se o risco de machucar e a recuperação é lenta.
Como deve ser a
frequência de consultas nesta época?
Não é preciso aumentar as visitas ao médico, mas é
necessário atentar-se para que, a qualquer sinal de desidratação ou febre, o
especialista deve ser consultado.
Como perceber que
algum problema está ocorrendo?
Um sintoma frequente é a diminuição do fluxo urinário, que é
sinal de desidratação.
Como estes problemas
podem ser evitados?
Aferir a pressão arterial e controlar o diabetes são
atitudes que fazem toda a diferença para a boa saúde dos idosos.
Aumente a disposição e as vitaminas nos dias quentes
De acordo com o médico geriatra Marco Antonio Brunello
Guerra da Cunha, dias quentes são necessários para a saúde na terceira idade,
basta saber dosar. “Ao evitar o sol entre 10h e 16h, o idoso fica com a melhor
parte do verão, que é garantir a produção de vitamina D, fundamental para o
corpo humano”, afirma.
Para Brunello, aproveitar a manhã para se exercitar e
socializar podem garantir um dia mais confortável. “Com exercícios e boas
conversas a disposição aumenta, o sono melhora e o coração fica mais tranquilo”,
recomenda.
Outra dica do médico é com relação à alimentação.
“O idoso deve se
atentar para os alimentos que está consumindo, evitando fritura, embutidos e
enlatados (estes contém muito sódio e podem alterar o fluxo urinário). Para
melhorar o dia a dia, prefira alimentos frescos, cozidos, carne branca à
vermelha e muita fruta”.
Para garantir uma boa noite de sono, Brunello faz uma
ressalva. “Como o sistema digestivo fica mais lento a noite, o ideal é escolher
uma dieta líquida para o período, como uma sopa, por exemplo. As roupas também
são peças chave para um conforto noturno e devem ser leves e soltas. Isto
somado a um ambiente bem ventilado vão garantir bons sonhos e um ótimo dia, por
consequência”, indica.
Fonte; http://www.redebomdia.com.br/noticia/detalhe/64401/Se+o+calor+voltar,+idoso+deve+ter+cuidado
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